Os mais antigos arquivos cabo-verdianos datam do período colonial entre os sécs. XVII a XIX incluindo ainda parte do séc. XX.

Porém a maior parte da produção arquivística destes períodos encontra-se na antiga metrópole, Portugal, para onde foi enviada por força da legislação do então Ministério do Ultramar na década de 60.

Uma parte ínfima estará ainda em bibliotecas e arquivos espalhados por países como Itália (Vaticano), Espanha, França, etc.

Apesar de se encontrarem nos arquivos portugueses e de outros países os documentos mais antigos e valiosos de diversas instituições que fizeram parte na administração cabo-verdiana, o IANCV conserva uma documentação de grande interesse para o estudo da nossa história e da nossa cultura.

Esses arquivos ocupam aproximadamente 6000 metros lineares de prateleiras, são constituídos por livros de registos e documentos avulsos, produzidos essencialmente pelos serviços da Administração Central, Câmaras Municipais, Igrejas, Registos e Notariados e pelos Tribunais.

Trata-se de um conjunto de fundos bastante diversificado que nos permite conhecer as atividades, o funcionamento e a estrutura dos diversos órgãos, desde o antigo regime até à independência nacional. Abarcam assuntos como: politica, religião, finanças, educação, emigração, saúde, justiça, nas diferentes perspetivas. Esses arquivos têm sido objeto de investigação, quer por nacionais quererem estrangeiros.

O fundo arquivístico da Secretária-geral do Governo (1674-1954) livros manuscritos e 1803-1927 doc. avulsos), dos mais antigos e importantes é constituído por uma vasta e importante documentação: cartas régias, regimentos, correspondência, patentes, acordos, alvarás, relatórios que de entre as várias atividades, documentam as relações com a metrópole:

Ministério do Reino; Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar; secretária-geral do Ministério das Colónias, Secretária-geral do Ministério das Colónias, Direção Ministério dos Negócios Estrangeiros; Direção Geral da Fazenda das Colónias, entre outros.

 

Os arquivos das câmaras municipais e das administrações de concelhos são compostos por documentos diversos, com destaque para os livros de atas e vereações, posturas municipais, testamentos que nos permitem analisar os mais variados aspetos da administração local do arquipélago.

Os arquivos paroquiais (1792 – 1915) abrangem, entre outros livros, os dos registos de batismos, casamentos e óbitos. É de grande importância para a investigação, sendo um dos fundos mais solicitados, pelas seguintes razões: fornecem informações sobre os nossos ascendentes; servem para elaboração de estudos de genealogia das famílias; servem para defender e garantir os direitos dos cidadãos;

Os arquivos judiciais compostos principalmente por processos cíveis e crimes, dos séculos XVIII à XX, retratam o aspeto da justiça cabo-verdiana desse período; 

Os principais fundos existentes no I.A.H.N. são, entre outros, os seguintes:

IANCV_2021_PDF_FUNDOS ARQUIVOS (1)

Incorporações/transferências;

 

Tratamento documental

Procedimentos para tratamento físico:

  • Apanha de documentos nos armazéns, uma vez que os documentos transferidos para o IANCV são colocados nos armazéns para documentos não tratados, enquanto aguardam o devido tratamento;
  • Higienização (limpeza dos processos para retirada dos resíduos e poeiras, e também retirada de metais como clips e agrafos, que com o passar dos tempos causam deterioração dos documentos);
  • Extração dos processos das pastas (substituição das pastas antigas para capilhas de cartolina Acid free). Com a substituição das pastas os documentos devem ser atados com um fio de algodão para evitar que as folhas se dispersam e percam;
  • Organização dos documentos que se encontram desorganizados;
  • Elaboração da descrição arquivística – que consiste na representação exata de uma unidade de descrição e das partes que a compõem, caso existem, através da recolha, análise, organização e registo de informação que sirva para identificar, gerir, localizar e explicar a documentação de arquivo assim como o contexto e o sistema de arquivo que o produziu. A descrição é feita numa folha, denominada “Folha de Recolha de Dados”, que é elaborada conforme as Normas Internacionais ISAD (G) – Norma Geral Internacional de Descrição Arquivística e ISAAR (CPF) – Norma Internacional de Registo de Autoridade para Entidades Coletivas, Pessoas e Famílias.
  • Identificação das capilhas, com as descrições;
  • Organização cronológica e identificação das peças;
  • Acondicionamento dos documentos em caixas de arquivo ou fazendo embrulhos com papel kraft, identificando os mesmos;
  • Arrumação das caixas nas prateleiras, nos armazéns destinados a Fundos tratados;
  • Organização das Folhas de Recolhas de Dados em séries documentais;

Procedimentos para o tratamento intelectual

Elaboração do Quadro de Classificação –  Que consiste na elaboração de um esquema a partir do estudo das estruturas e funções da instituição e análise do arquivo por ela produzido pelo qual se distribuem os documentos em classes, subclasses, séries e subséries, para efeitos de descrição e/ou instalação, tendo sempre em conta os princípios da proveniência e do respeito pela ordem original.